Voyeurismo urbano

Adoro o metro. Não só a composição, mas também as pessoas que por ele circulam. São rostos pálidos, vibrantes, sonolentos ou juvenis. Eu, caro leitor, sou muito curiosos. Desejo saber um pouco sobre cada ser que pelo trem subterrâneo circula. De onde vêm, para onde vão. Se amam e são amados, se sofrem ou se são felizes. Uma dúvida quase que doentia.
Não há uma só vez em que eu não me prenda, em pensamentos, a uma pessoa quando viajo no metro. Seja pela sua expressão, pela aparência ou por qualquer outro motivo. Isso é engraçado. Penso: se eu presto atenção assim nas outras pessoas do metro, posso também ser alvo da atenção alheia. O incrível é que não se aplica apenas no metro. Mas a todos os lugares por onde circulamos, caminhamos, viajamos,...Somos sempre vigiados.
São nesses pequenos momentos de entretenimento com a vida alheia é que estar um dos prazeres do voyeur. Aquele sujeito saído de um filme de Almodóvar, sempre a observar os detalhes dos corpos estranhos que o circuvizinham.
Portanto, olhem e permitam que sejam olhados também. Descubram o prazer de espiar as pernas do seu(sua) vizinho(a) de banco do metro. Desvendem os mistérios da carne daquele moço(ou moça) em pé na plataforma esperando o trem apenas com um olhar bem treinado. Descubra o prazer que está nos outros.

2 comentários:

Alberto Nicco disse...

Somos observados a todo o momento. A perceguição que não nos cabe, é o momento de invasão visual. Aquele que avança arrastando olhos olheios de forma brusca, extraindo libido. O Desejo não saciádo, a fome de um singelo olhar voltado.

Nietszche: "quando você olha para o abismo. O abismo olha para você"

Decadence avec elegance disse...

Quão Sensivel teus escritos, pormenores invisiveis que serão jamais deslizes. Tu enchegas o vento nú e o dia tão cru..como fazes pra ser visto quando tudo é cegueira? Como és visto por mim que tapei a orelha?
Ah...como é belo a arte do observador..quase um voador...que voa voa, mas não sacia a dor!
Sacias a tua? Me ensina a formula um dia...?!
Quase fiquei louca, mas não podia!

ó moço que escreve com os dedos da alma, Tocas a musica do farelo? aquela.Longiqua.que tu não vês.nem ovaciona.apenas.sente.entra em coma!

Rimas parecem ser minha especialida de,mas não o é. Sou apenas semelhante de tu.
Amigo em comum. e amo não ter fé!

Como já diz o alberto por mim guiado e continuado:

Nietszche: "aquele que luta contra mostros deve precaver-se pra não torna-se tambem um"

Au revoir Monsieur...Antunes.