tributo à quem gosto

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Tenho febre
Meu corpo e minha alma fervem
Na expectativa de um novo amor
de uma nova decepção
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Tenho febre,
de desejo,
de paixão,
de doença.
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Tenho febre,
por saber que ele não me tenciona,
por saber que não sou,
nem serei, dele.
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la soledad..!

A tristeza, quando não doentia, é uma esperada taça de vinho seco. Que seca, lentamente, a garganta, depois o peito e por fim a alma! Esta secura, para mim, não é por toda ruim. Serve para pensar, chegar a algumas conclusões (mesmo que insensatas) sobre a vida.
Quintana escreveu um poema que tem um título esclarecedor, e uma temática ensandecedora. Chama-se "Eu Escrevi Um Poema Triste". Admito que o amor perdido aflora com estas palavras. Mas as postarei, como um retrato da tristeza que tenho como fardo.

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!
(mário quintana)

um calso

"Na minha terra se vive até cem anos. Na minha terra não tem maldade. Lá, as pessoas sabem do bem. Acordam com a paz de que nasceram. Não se vê, pelas ruas, mendigos, ladrões ou cachorros-mortos-de-fome. Lá se tem caridade nos corações.
Mas na minha terra tem um homem, alto, loiro, bonito. Foi por ele que eu me apaixonei, depois amei e não mais desamei. Nós nos casamos (isso na minha terra pode), fomos morar juntos. Na casa azul, perto da padaria do Seu Ibhrain. A casa era grande, três quartos com janela alta, pra olhar a rua. O piso era de madeira véia, da casa que botaram a baixo.
Lá, nessa terra, fazia (e ainda faz) muito calor. Em noite de lua branca, com vento forte e quentura alta. Nós dois nos amávamos pelados, de janela aberta, que é pro vento entrar. A gente suava junto. Via as gostas de sal cair pelo queixo e ir parar no peito forte de homi valente.
Até que um dia, de frio raro pra aquelas bandas do país, passou pela minha janela da sala um rabo de saia curto vindo da capital! Meu amado de foi atrás. Não voltou mais.
E foi assim, que depois de muito chorar lá, que eu vim parar cá. Nessa cidade-caos, onde não faz frio o sol, chuva ou nevoeiro. Apenas a tristeza e solidão tem vez aqui. Mas já decidi voltar, hoje de manhã fui na rodoviária. Comprei um par de passagens pra minha cidade. Um leito pra mim e outra pra tristeza, que foi a única coisa que aqui eu conquistei!"
(J. T.)

trecho de um livro que gosto


"— Miséria! quando me vierdes falar em poesia eu vos direi: aí há folhas inspiradas pela natureza ardente daquela terra como nem Homero as sonhou, como a humanidade inteira ajoelhada sobre os túmulos do passado nunca mais lembrará! Mas, quando me falarem em verdades religiosas, em visões santas, nos desvarios daquele povo estúpido, eu vos direi: miséria! miséria! três vezes miséria! Tudo aquilo é falso: mentiram como as miragens do deserto!"

(Noite Na Taverna, Álvares de Azevedo)

Une poésie sur l'amour et le sexe

EROS E SUA MÂE
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Para alguns eu sou o tudo,
para outros apenas mais um da longa lista.
Para alguns eu sou a razão da vida e do tempo,
o motivo para todos estarmos aqui.
Já me disseram que eu sou a razão da discórtdia.
Afinal, sem mim também não haveria o ódio.
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Sei que sempre fui louvado, cantado,
pintado, escrito,
mas nunca com perfeição.
Sempre falham ao me representar.
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Estou, por fim, em todos os homens
(e mulheres) do mundo.
Sou dono de muitos corações
e ex companheiro de outros.
Enfim, eu sou o amor.
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Ou seria o sexo?

poesía número siete


SONETO #7
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Yo amo y no soy amado,
no sufro más,
de tanto doler mi corazón paró,
no de latir, pero de amar
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Yo amo y por lo tanto soy plomo,
no pienso en otra cosa
si no en mi amado
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Yo amo y me fui dejado,
así, de lado,
en tu corazón
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Yo amo y por lo tanto lloro,
todas las noches, piensando en ti
Me ama, si por ahora, antes
que te dicen, que por tú, yo morí!

um soneto e uma foto


OS VERSOS QUE TE FIZ
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Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
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Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
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Mas, meu Amor, eu não vos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !
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Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz
aa
(Florbela Espanca)


P.S.: the love is a force of neture.