"Na minha terra se vive até cem anos. Na minha terra não tem maldade. Lá, as pessoas sabem do bem. Acordam com a paz de que nasceram. Não se vê, pelas ruas, mendigos, ladrões ou cachorros-mortos-de-fome. Lá se tem caridade nos corações.
Mas na minha terra tem um homem, alto, loiro, bonito. Foi por ele que eu me apaixonei, depois amei e não mais desamei. Nós nos casamos (isso na minha terra pode), fomos morar juntos. Na casa azul, perto da padaria do Seu Ibhrain. A casa era grande, três quartos com janela alta, pra olhar a rua. O piso era de madeira véia, da casa que botaram a baixo.
Mas na minha terra tem um homem, alto, loiro, bonito. Foi por ele que eu me apaixonei, depois amei e não mais desamei. Nós nos casamos (isso na minha terra pode), fomos morar juntos. Na casa azul, perto da padaria do Seu Ibhrain. A casa era grande, três quartos com janela alta, pra olhar a rua. O piso era de madeira véia, da casa que botaram a baixo.
Lá, nessa terra, fazia (e ainda faz) muito calor. Em noite de lua branca, com vento forte e quentura alta. Nós dois nos amávamos pelados, de janela aberta, que é pro vento entrar. A gente suava junto. Via as gostas de sal cair pelo queixo e ir parar no peito forte de homi valente.
Até que um dia, de frio raro pra aquelas bandas do país, passou pela minha janela da sala um rabo de saia curto vindo da capital! Meu amado de foi atrás. Não voltou mais.
E foi assim, que depois de muito chorar lá, que eu vim parar cá. Nessa cidade-caos, onde não faz frio o sol, chuva ou nevoeiro. Apenas a tristeza e solidão tem vez aqui. Mas já decidi voltar, hoje de manhã fui na rodoviária. Comprei um par de passagens pra minha cidade. Um leito pra mim e outra pra tristeza, que foi a única coisa que aqui eu conquistei!"
(J. T.)






