um calso

"Na minha terra se vive até cem anos. Na minha terra não tem maldade. Lá, as pessoas sabem do bem. Acordam com a paz de que nasceram. Não se vê, pelas ruas, mendigos, ladrões ou cachorros-mortos-de-fome. Lá se tem caridade nos corações.
Mas na minha terra tem um homem, alto, loiro, bonito. Foi por ele que eu me apaixonei, depois amei e não mais desamei. Nós nos casamos (isso na minha terra pode), fomos morar juntos. Na casa azul, perto da padaria do Seu Ibhrain. A casa era grande, três quartos com janela alta, pra olhar a rua. O piso era de madeira véia, da casa que botaram a baixo.
Lá, nessa terra, fazia (e ainda faz) muito calor. Em noite de lua branca, com vento forte e quentura alta. Nós dois nos amávamos pelados, de janela aberta, que é pro vento entrar. A gente suava junto. Via as gostas de sal cair pelo queixo e ir parar no peito forte de homi valente.
Até que um dia, de frio raro pra aquelas bandas do país, passou pela minha janela da sala um rabo de saia curto vindo da capital! Meu amado de foi atrás. Não voltou mais.
E foi assim, que depois de muito chorar lá, que eu vim parar cá. Nessa cidade-caos, onde não faz frio o sol, chuva ou nevoeiro. Apenas a tristeza e solidão tem vez aqui. Mas já decidi voltar, hoje de manhã fui na rodoviária. Comprei um par de passagens pra minha cidade. Um leito pra mim e outra pra tristeza, que foi a única coisa que aqui eu conquistei!"
(J. T.)

trecho de um livro que gosto


"— Miséria! quando me vierdes falar em poesia eu vos direi: aí há folhas inspiradas pela natureza ardente daquela terra como nem Homero as sonhou, como a humanidade inteira ajoelhada sobre os túmulos do passado nunca mais lembrará! Mas, quando me falarem em verdades religiosas, em visões santas, nos desvarios daquele povo estúpido, eu vos direi: miséria! miséria! três vezes miséria! Tudo aquilo é falso: mentiram como as miragens do deserto!"

(Noite Na Taverna, Álvares de Azevedo)

Une poésie sur l'amour et le sexe

EROS E SUA MÂE
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Para alguns eu sou o tudo,
para outros apenas mais um da longa lista.
Para alguns eu sou a razão da vida e do tempo,
o motivo para todos estarmos aqui.
Já me disseram que eu sou a razão da discórtdia.
Afinal, sem mim também não haveria o ódio.
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Sei que sempre fui louvado, cantado,
pintado, escrito,
mas nunca com perfeição.
Sempre falham ao me representar.
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Estou, por fim, em todos os homens
(e mulheres) do mundo.
Sou dono de muitos corações
e ex companheiro de outros.
Enfim, eu sou o amor.
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Ou seria o sexo?

poesía número siete


SONETO #7
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Yo amo y no soy amado,
no sufro más,
de tanto doler mi corazón paró,
no de latir, pero de amar
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Yo amo y por lo tanto soy plomo,
no pienso en otra cosa
si no en mi amado
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Yo amo y me fui dejado,
así, de lado,
en tu corazón
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Yo amo y por lo tanto lloro,
todas las noches, piensando en ti
Me ama, si por ahora, antes
que te dicen, que por tú, yo morí!

um soneto e uma foto


OS VERSOS QUE TE FIZ
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Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
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Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
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Mas, meu Amor, eu não vos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !
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Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz
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(Florbela Espanca)


P.S.: the love is a force of neture.

Amis, je ne suis rien sans vous!!!!

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Amigos, a vocês eu dedico
uma boa parte do meu coração!
A vocês, eu confio muito de mim.
São donos de muitos dos meus segredos.
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Amigos,de vocês eu espero a companhia
no longo caminho da vida que
teima por terminar!
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Amigos, AMO VOCÊS!!!!

diferença minimalista

Quando me deparei com essas duas fotografias demorei alguns segundos para entender que se tratam de imagens diferentes e, por mais perto que sejam, são momentos diferentes. Se pensarmos bem a vida é como essas duas fotografias. As vezes um segundo faz toda a diferença, uma posição diferente transforma o agora e um momento inédito e que jamais vai se repetir. Por isso, devemos degustar cada segundinho da vida como se nunca mais fossemos comer!

poema(zinho)

POEMA CONSELHO
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Se estas angustiado,
amargurado, triste
Chora.
Mas chora um rio inteiro
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Se tranque no quarto por uma noite,
se preciso, mais uma,
mais duas.
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Mais depois abra a janela,
abra a porta, o coração
Saia para o mundo,
pois nele se sentirá em casa.
E apenas em casa,
se é plenamente feliz.
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P.S.: Só mais um poeminha meu...escrito à luz da madrugada, na humilde tentativa de ajudar aos que sofrem de amor!

Voyeurismo urbano

Adoro o metro. Não só a composição, mas também as pessoas que por ele circulam. São rostos pálidos, vibrantes, sonolentos ou juvenis. Eu, caro leitor, sou muito curiosos. Desejo saber um pouco sobre cada ser que pelo trem subterrâneo circula. De onde vêm, para onde vão. Se amam e são amados, se sofrem ou se são felizes. Uma dúvida quase que doentia.
Não há uma só vez em que eu não me prenda, em pensamentos, a uma pessoa quando viajo no metro. Seja pela sua expressão, pela aparência ou por qualquer outro motivo. Isso é engraçado. Penso: se eu presto atenção assim nas outras pessoas do metro, posso também ser alvo da atenção alheia. O incrível é que não se aplica apenas no metro. Mas a todos os lugares por onde circulamos, caminhamos, viajamos,...Somos sempre vigiados.
São nesses pequenos momentos de entretenimento com a vida alheia é que estar um dos prazeres do voyeur. Aquele sujeito saído de um filme de Almodóvar, sempre a observar os detalhes dos corpos estranhos que o circuvizinham.
Portanto, olhem e permitam que sejam olhados também. Descubram o prazer de espiar as pernas do seu(sua) vizinho(a) de banco do metro. Desvendem os mistérios da carne daquele moço(ou moça) em pé na plataforma esperando o trem apenas com um olhar bem treinado. Descubra o prazer que está nos outros.

Invasões Bárbaras

Paixão é como pássaro.
Vem, pousa,
por uns segundos colorem nossas janelas,
cagam, e por fim voam.
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Já o amor é árvore,
daquelas frondosas e de copa alta.
Mas, suas raízes são de chumbo.
Encravam na terra fértil
do coração humano, e de lá não saem.
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No meu jardim há uma só árvore,
e vários pássaros.
A árvore: está secando
os pássaros: voando.
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matheus a.

Quintana, Quintana, Quint...

O meu poeta favorito é Quintana. Não sei por que, mas eu adoro aqueles versinhos simples e que dão um efeito de sino na cabeça. Tounn...Tounn....Você fica pensando, pensando, e finalmente quando entendo o poema, descobre que você já pensou nisso, só não tinha persebido. Ou seja, para mim, Mário Quintana é(ra) um poeta que nos faz ver o que está de baixo dos nossos narizes e que não conseguimos ver, e que são as verdadeiras chaves para a felicidade! Então, é por isso que eu adoro aqueles versinhos. E também é por isso que vou postar um dos meus poemas dele favorito, além, é claro, de uma foto com aquela carinha de velhinho gente-fina:
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Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
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Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
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E talvez de meu repouso...
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(Mário Quintana)




ser: tão sofrido

SER: TÃO SOFRIDO
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Adoro chuva, de verão ou não.
Cada pingo d'água, cada gota fria.
Adoro chuva, até das que vem e vão.
Espera-te, ansiosamente, no sertão!
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Na secura da vida,
sofrimento vão?
Sei que ela continua,
mesmo sem chuva,
a viver no sertão.
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Sertão da vida e não do Brasil,
onde todo ser humano,
seja qualquer mundano,
já pousou e partiu.
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E com as chuvas que espero,
quero que em mim brote
uma nova paixão.
Pois só assim,
acharei a saída,
do meu pequeno sertão.
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Esse é um poema do qual eu gosto muito! Não é muito elaborado, mas me trás bons pensamentos. Mesmo que não pareça, pelo seu teor. Enfim, é um poema simples!

j'ai reçu un cadeau...

Eu recebi este poema de presente, dado por um amigo do peito. Por coincidência, ou não, este poema se aplica, milimetricamente, a mim quando escrevo. Leiam este poema não só com admiração a Manuel Bandeira, mas com amor no coração, pois só assim se alcança o verdadeiro significado de qualquer poema.
DESENCANTO
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Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
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Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
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E neste versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
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-Eu faço versos como quem morre.
(Manuel Bandeira)

Obrigado Nicco. Estas no meu coração!

Futuro - Uma palavra difícil de ser compreendida.

Hoje foi dia normal! Assim que acordei, me deitei na cadeira de praia do meu quarto e pensei. Pensei no que eu ia fazer durante o dia, pensei no que eu ia fazer durante a semana(que precede o vestibular da UFRJ), o que eu ia fazer durante a minha vida! Para mim isso é comum...pensar no amanhã. A minha cabeça quase nunca está sobre o meu pescoço. Geralmente está por aí, no futuro, num futuro tão distante que acaba por se tornar improvável!
Pelo menos tenho (creio eu) a cabeça no lugar. Sei que para validar um futuro distante tenho, primeiro, que conquistar o presente. Aquela história velha (e chata) de plantar pra colher. Sei também o que quero. É como se meu futuro fosse um tesouro, e a minha imaginação o mapa!
Falando de desejos concretos, eu quero um filho! Ainda não decidi por Bernardo, Theo ou Gabriel. Preparo toda a minha vida para adota-lo. Se hoje eu morro de estudar e entro em colapso com química e física é para um dia dar uma vida plena a ele.
Creio que tu, caro leitor, deva estar cagando e andando para os meus planos de vida. Mas na verdade é que te uso como analista por não ter outro ombro pra chorar. A solidão, fiel escudeira, me serve de corda, para o meu enforcamento(nossa, me pareceu uma frase de emo). Sorte minha que esta corda se rompe quando penso na possibilidade de uma vida melhor...
Durante o resto do meu dia chorei! Nada de importante aconteceu! Mas espero que um dia isso mude, e todos os meus dias passem a ser importantes....! Aí sim, serei completamente feliz!

matheus a.

...!

ÉL ÁNGEL SIN YO
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Es un ángel blanco
que en las noches negras,
de los putos como yo,
ampara a los que sufren,
y perdona a los que pecan.
aa
Tú que ilumina las calles,
que traza los caminos
para que no nos percamos
y evita, siempre,
que caigamos en tentación.
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Una lástima que no sea humano,
no tengas carne, para que yo aprete,
no tengas ouvido, para que yo susure:
que te amo, que te deseo,
que eres mío.

Texto insosso

Um mundo, num olho. Num olho, apenas. Não que o mundo seje um olho. Mas é tão grande, que num olho só cabe! Pode ser azul, verde, cinza ou preto. O meu mundo pode ser azul, verde, cinza ou preto. As cores do mundo. As cores: o mundo. Sei que o mundo meu não é. Nem na minha barriga cabe, por mais que eu queira devorá-lo.
Certa vez, em uma carta a um amigo do peito, escrevi uma frase que nunca mais esquecerei. Pela primeira vez uma frase minha fez mais efeito no remetente que no destinatário. Enfim, a frase era: "...Meu lugar é grande. Vai do meu quarto ao mundo". Foi ao escrever estas palavras que me dei conta: "Sou tão pequeno. Sou tão nada."
Por mais que me doa (e dói), saber dessa minha pequeninisse, da minha nadisse , eu levanto a minha cabeça e decido que para crescer só tem um jeito: ser feliz! Esse é o meu "biotônico fontora". A felicidade! Por maiores os problemas, por menores as soluções: sou feliz! Não por sorte da vida, ou fortuna, ou amores eternos. Mas por que assim eu quero. E é assim que tem que ser!
Sem felicidade o mundo enegrece, e assim não consigo ver um palmo além do meu nariz. Ué! Então não poderei ver o meu lugar que começa no meu quarto e se estende até onde eu perder a minha bota!